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Como alcançar o equilíbrio?

Atualizado: 8 de jan. de 2023

Vamos começar com uma provocação… ser completamente equilibrado não será também um desequilíbrio?


Um tema muito falado nas rodas de autoconhecimento, mas talvez pouco experienciado. Parece que quando chegamos perto, ele escapa.

Será que é possível encontrar o tal equilíbrio? Onde será que ele reside?


Acredito que em muitos momentos entendemos esse conceito de maneira um tanto enrijecida e idealizada. Ficamos perseguindo uma régua estática que ao captá-la tudo estará resolvido. No entanto, o encontro com o equilíbrio só se dá na morte, na visão junguiana. Só ali a balança estará totalmente horizontal e não penderá mais para lado algum, pois o pender é o próprio caminho de evolução. Sem isso, paramos. Aqui vale pensarmos no conceito de entropia.


Tudo tende à entropia, ou seja, tudo caminha para um ponto de equilíbrio, estático e único. Tudo, exceto a vida: esta coisa que contraria os conceitos, as certezas, as tendências. A vida sempre se renova, renasce, inaugura.


A vida e especialmente se pensarmos nela como caminho de individuação, tornar-se quem se é, é um processo em acontecimento. Nós somos seres que estamos acontecendo o tempo todo, não há nada pronto, dado e definido. Sendo assim, que espécie de equilíbrio devemos buscar então?

pedras empilhadas em praia
desequilíbrio equilibrado

Somos seres bipolares, tudo acontece em oposição dentro da nossa psique. Se formos equilibrados, o desequilíbrio estará banido e não estaremos íntegros. Veremos o desequilíbrio como uma ameaça, um inimigo a ser combatido e assim, cada vez que ele entrar em cena, vamos querer forçar a barra e aumentar a dose de equilíbrio. Criando um outro tipo de desequilíbrio dessa maneira.


Gostaria de trazer a ideia então de um desequilíbrio equilibrado. Pender para um lado em excesso, depois para o outro, depois um pouco menos e assim ir caminhando. Nós precisamos dessas duas polaridades se auto regulando, fazendo parte da vida.


Metaforicamente vamos pensar a vida como uma trilha em um terreno bastante irregular. O equilíbrio será, na nossa metáfora, um corpo completamente ereto e o desequilíbrio outras maneiras de usar o corpo. Vejamos, enquanto humanidade entendemos a postura ereta como uma evolução, um ideal, uma superioridade, assim como podemos pensar nessa idealização do equilíbrio.


Será que vai funcionar caminhar com apenas esse corpo na trilha? Ou será mais benéfico flexibilizá-lo? Pensar em outros planos? Possibilidades? Será que agachar pode ajudar? Andar de quatro? Usar as mãos de outra maneira… ?


Ou seja… será que é possível definir uma única maneira para toda a caminhada?


Às vezes, precisamos olhar para baixo e é mais fácil fazer isso pertinho do chão. Quanto mais distantes estivermos, mais rígidos em nossa “postura de equilíbrio”, seja física como brincamos aqui ou mental/emocional, podemos perder o contato com o que está em nosso entorno e em nosso interior. Não ver uma pedra, aquele galho cortado ou aquele espinho.

Quanto mais disponíveis internamente estivermos para nos adaptar ou perceber o que aquele trecho específico da vida nos pede, deixando nosso corpo livre para se integrar, mais capacidade de travessia adquirimos e quiçá, equilíbrio. É preciso estar em contato interior, para poder perceber até onde você alcança, qual a melhor maneira de atravessar aquele rio. Muitas vezes, não é a mesma do seu colega que atravessou na frente.


Só a sua bússola interna tem a resposta… e quem sabe, o equilíbrio tenha a ver mais com ouvir-lá, do que defini-la, afinal a direção sempre muda.


A vida é um pouquinho assim também, a gente vai precisar flexibilizar.

Abaixar-se quando achávamos que devíamos estar em pé, ir contra a maré, recuar, pender para um lado para poder segurar o outro. Dar a mão e esticar a perna oposta ao mesmo tempo… Quase um jogo de Twister.


A vida é confusão, imprevisibilidade, caos, chuva, ventania. É uma ilusão achar que podemos conter o movimento da vida. Equilíbrio então, pode ter mais a ver com saber “dançar conforme a música”, aceitar os movimentos e encontrar um ponto dentro de ti para confortá-lo, para verdadeiramente estar consigo. um ponto firme que te permita fluir com todos os movimentos, mas se reencontrar. Ir e depois voltar.


Um lugar em que você possa estar dentro de ti, com menos distração, com menos barulho externo. Com mais amor e menos definição. Mais flexibilidade e menos rigidez.


Lembrando que assim como a vida… você, eu e tod#s nós somos também caos!



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